Abstenção nas Eleições 2026: 33 milhões podem mudar os números?

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O primeiro turno das Eleições 2026 terminou com uma diferença relativamente pequena entre Flávio Bolsonaro e Lula.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, com 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, correspondentes a 47,03% dos votos válidos. Lula recebeu 53.876.617 votos, ou 45,16%. A diferença entre os dois foi de 2.227.651 votos. Tribunal Superior Eleitoral

Mas existe outro número que chama ainda mais atenção.

No primeiro turno, aproximadamente 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas.

A abstenção chegou a 21,08% do eleitorado brasileiro, o maior percentual registrado em um primeiro turno de eleições gerais desde 1998. Agência Brasil

Colocando os dois números lado a lado, temos uma comparação interessante:

IndicadorNúmero aproximado
Votos de Flávio Bolsonaro56,10 milhões
Votos de Lula53,88 milhões
Diferença entre os candidatos2,23 milhões
Eleitores que não compareceram33,4 milhões
Abstenção21,08%

A pergunta deixa de ser apenas:

“Para onde irão os votos dos outros candidatos?”

Existe outra variável importante:

quantas pessoas que não votaram no primeiro turno poderão comparecer no segundo?

Para entender o tamanho dessa variável, criei uma planilha gratuita de simulação das Eleições 2026, que você pode baixar neste artigo.


Baixe gratuitamente a planilha de simulação

A planilha permite alterar o percentual de eleitores ausentes que hipoteticamente retornaria no segundo turno e simular diferentes distribuições desses votos.

Importante: a planilha não prevê o resultado da eleição. Ela é uma ferramenta matemática para compreender a dimensão dos números.

33 milhões de ausentes versus 2,23 milhões de votos

A primeira conta da planilha é extremamente simples:

33,4 milhões ÷ 2,227 milhões ≈ 15

Isso significa que o número de eleitores que não compareceu foi aproximadamente 15 vezes maior do que a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

Esse número impressiona, mas precisa ser interpretado corretamente.

Ele não significa que existam 33 milhões de votos disponíveis para Lula ou Flávio.

Também não significa que todos os ausentes comparecerão no segundo turno.

E muito menos que os eleitores que retornarem votarão predominantemente em determinado candidato.

O que a conta demonstra é simplesmente a dimensão matemática do grupo que não participou do primeiro turno.

Essa distinção entre tamanho de um grupo e comportamento desse grupo é fundamental em qualquer análise de dados.


Quem não votou no primeiro turno pode votar no segundo?

Sim.

A Justiça Eleitoral considera cada turno uma eleição independente para fins de comparecimento. Portanto, quem não votou no primeiro turno pode votar normalmente no segundo, desde que esteja em situação regular perante a Justiça Eleitoral. Agência Brasil

Isso torna os 33,4 milhões de ausentes uma população eleitoral possível no segundo turno.

Possível não significa previsível.

Essa é provavelmente a distinção mais importante deste artigo.

A matemática consegue mostrar o que aconteceria diante de determinadas hipóteses. Ela não consegue afirmar antecipadamente como milhões de pessoas irão se comportar.


E se apenas 5% dos ausentes voltassem?

É aqui que a planilha começa a ficar interessante.

Considere os aproximadamente 33,4 milhões de ausentes do primeiro turno.

Se apenas 5% desse grupo participasse novamente:

33.400.000 × 5% = 1.670.000 eleitores

Com retorno de 10%:

33.400.000 × 10% = 3.340.000 eleitores

E com 20%:

33.400.000 × 20% = 6.680.000 eleitores

Veja:

Retorno hipotético dos ausentesEleitores
5%1.670.000
10%3.340.000
20%6.680.000
30%10.020.000

Aqui aparece uma constatação interessante.

A diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula no primeiro turno foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos.

Apenas 10% dos ausentes representam 3,34 milhões de pessoas.

Portanto:

Dez por cento do universo de ausentes é numericamente maior do que toda a diferença entre os dois candidatos no primeiro turno.

Mas isso ainda não diz quem seria beneficiado.

E é justamente aí que começam os erros de interpretação.


Três milhões de novos eleitores não significam três milhões de votos para alguém

Imagine que 10% dos ausentes retornassem.

Teríamos aproximadamente:

3.340.000 novos participantes.

Agora imagine, apenas como exercício matemático, que eles se dividissem exatamente pela metade.

Lula receberia:

1.670.000

Flávio receberia:

1.670.000

Resultado líquido entre eles:

zero.

Ou seja, milhões de pessoas poderiam entrar na votação sem produzir qualquer vantagem adicional entre os dois candidatos, caso a distribuição fosse exatamente equilibrada.

Agora altere a planilha para:

60% versus 40%.

Dos 3,34 milhões:

60% representam aproximadamente 2.004.000 votos.

40% representam aproximadamente 1.336.000 votos.

A diferença produzida por esse grupo seria:

668 mil votos.

Perceba a diferença entre duas perguntas:

Quantas pessoas retornam?

e

como essas pessoas se distribuem?

A primeira determina o tamanho da população.

A segunda determina o impacto líquido.


Comparecimento pode ser tão importante quanto mudança de voto

Quando pensamos em segundo turno, é comum imaginar que o resultado depende principalmente dos eleitores dos candidatos eliminados.

Mas existem vários movimentos possíveis entre um turno e outro.

Uma pessoa que votou pode faltar.

Uma pessoa que faltou pode comparecer.

Quem votou em outro candidato pode escolher Lula ou Flávio Bolsonaro.

Também pode votar em branco, anular ou não comparecer.

E eleitores que escolheram um dos dois candidatos no primeiro turno também podem mudar de decisão.

Por isso, uma eleição não funciona como uma simples transferência automática de blocos eleitorais.

É justamente por isso que somar os votos dos candidatos eliminados e atribuí-los aos dois finalistas costuma produzir análises simplificadas demais.


O que a planilha das Eleições 2026 faz?

Criei a planilha para permitir que qualquer pessoa faça essas experiências sem precisar dominar estatística ou programação.

Na aba principal, você encontrará os dados do primeiro turno e três campos editáveis:

Percentual dos ausentes que retornam

Percentual hipotético para Lula

Percentual hipotético para Flávio Bolsonaro

Também existe a possibilidade de considerar brancos e nulos.

Ao alterar as células amarelas, o Excel calcula automaticamente:

quantidade de ausentes que retornaria;

votos hipotéticos adicionais para cada candidato;

brancos e nulos adicionais;

diferença líquida produzida;

novo total hipotético de cada candidato;

e diferença final dentro daquele cenário.

O objetivo não é produzir uma previsão.

É permitir que você faça a pergunta:

“O que aconteceria matematicamente se esta hipótese fosse verdadeira?”

Essa é uma forma muito mais segura de trabalhar com cenários.


Simulação não é previsão eleitoral

Essa diferença merece destaque.

Se você colocar na planilha:

20% dos ausentes retornam

e

60% votam no candidato A

o Excel consegue calcular perfeitamente o resultado matemático.

Mas ele não consegue dizer se 20% realmente retornarão.

Muito menos se 60% escolherão determinado candidato.

Esses valores são premissas inseridas pelo usuário.

Consequentemente, o resultado da planilha é:

um cenário condicionado às premissas utilizadas.

Não uma previsão.

Essa lógica não vale apenas para eleições.

É exatamente a mesma diferença que encontramos em:

planejamento financeiro;

projeções empresariais;

orçamentos;

metas comerciais;

previsões de estoque;

investimentos;

e planejamento estratégico.

Uma planilha responde muito bem:

“Se isso acontecer, qual será o resultado?”

Mas transformar essa resposta em:

“Isso vai acontecer”

é um salto que os números, sozinhos, não permitem.


O que os 33,4 milhões realmente nos ensinam?

Talvez o aspecto mais interessante desses números não seja eleitoral.

É uma lição sobre interpretação de dados.

Quando vemos:

Flávio Bolsonaro — 47,03%

Lula — 45,16%

nossa atenção imediatamente se concentra na diferença entre os dois.

Mas existe uma população enorme que não aparece dentro desses percentuais de votos válidos.

Os 33,4 milhões de ausentes representam cerca de 21% do eleitorado brasileiro. Agência Brasil

Isso mostra por que olhar apenas para percentuais pode esconder informações importantes.

Uma análise melhor exige observar:

percentuais + números absolutos + população total + pessoas fora da amostra observada.

É exatamente essa lógica que tentamos reproduzir na planilha.


A maior lição talvez esteja fora da política

Existe uma frase conhecida no mundo dos dados:

uma resposta depende da pergunta que você fez.

Se perguntarmos:

“Qual foi a diferença percentual entre Lula e Flávio?”

obtemos aproximadamente 1,87 ponto percentual.

Se perguntarmos:

“Quantos votos os separaram?”

obtemos aproximadamente 2,23 milhões.

Mas quando perguntamos:

“Quantas pessoas ficaram fora daquela votação?”

aparecem os 33,4 milhões.

Os três números são verdadeiros.

Mas cada um conta uma parte diferente da história.

É por isso que trabalhar com dados não significa apenas fazer contas.

Significa fazer perguntas melhores.


Baixe a planilha gratuita das Eleições 2026

Você pode utilizar a planilha para testar diferentes hipóteses de comparecimento e distribuição dos votos no segundo turno.

Ela foi desenvolvida em Excel e não exige macros, programação ou ferramentas avançadas.

Basta alterar as células indicadas e observar os cálculos.

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Arquivo Excel • Simulador matemático • Download gratuito

Observação: a ferramenta tem finalidade educacional e analítica. Os cenários apresentados não constituem pesquisa eleitoral, previsão de resultado ou orientação de voto.


Perguntas frequentes

Quantos brasileiros não votaram no primeiro turno de 2026?

Aproximadamente 33,4 milhões de eleitores, correspondentes a 21,08% do eleitorado, não compareceram no primeiro turno. Agência Brasil

Qual foi a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro?

Segundo o TSE, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos e Lula 53.876.617, uma diferença de 2.227.651 votos. Tribunal Superior Eleitoral

Quem não votou no primeiro turno pode votar no segundo?

Sim. Cada turno é tratado como uma eleição independente para efeito de comparecimento, desde que a situação do eleitor permita o voto. Agência Brasil

A planilha prevê quem ganhará as eleições?

Não. Ela permite criar cenários matemáticos a partir de premissas escolhidas pelo usuário. Não é uma pesquisa eleitoral nem um modelo de previsão.

Os 33 milhões de ausentes podem votar todos no mesmo candidato?

Matematicamente isso poderia ser digitado como hipótese, mas não existe base para assumir que esse comportamento ocorrerá. O grupo de ausentes é heterogêneo e não deve ser tratado como um bloco eleitoral uniforme.

Para que serve a planilha?

Para visualizar a relação entre abstenção, diferença de votos, comparecimento e distribuição hipotética dos votos, ajudando a compreender melhor a matemática de uma eleição.


Conclusão

A diferença de aproximadamente 2,23 milhões de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro certamente chama atenção.

Mas os 33,4 milhões de eleitores que não compareceram revelam outra dimensão do primeiro turno.

Isso não significa que os ausentes determinarão o resultado.

Não significa que eles voltarão.

E não significa que votarão de maneira uniforme.

Significa apenas que comparecimento também é uma variável relevante quando analisamos os números de uma eleição.

E talvez a forma mais simples de resumir seja esta:

Eleição não muda apenas quando alguém troca de candidato. Ela também muda quando alguém decide aparecer.

Fontes

Os resultados oficiais do primeiro turno, incluindo os votos de Flávio Bolsonaro e Lula, foram divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Resultado do primeiro turno — TSE

Os dados sobre 33,4 milhões de abstenções e taxa de 21,08% são baseados nos números do TSE compilados pela Agência Brasil. Dados de abstenção — Agência Brasil

A possibilidade de quem faltou no primeiro turno participar do segundo também foi esclarecida com base nas regras da Justiça Eleitoral. Quem faltou pode votar no segundo turno — Agência Brasil

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